João Cândido Felisberto, também conhecido como “Almirante negro” (Encruzilhada do Sul, 24 de junho de 1880 — Rio de Janeiro, 6 de dezembro de 1969) foi um militar brasileiro da Marinha de Guerra do Brasil, líder da Revolta da Chibata (1910).
O uso da chibata como castigo na Marinha brasileira já havia sido abolido em um dos primeiros atos do regime republicano, o decreto número 3, de 16 de Novembro de 1889, assinado pelo então presidente marechal Deodoro da Fonseca. Todavia, o castigo cruel continuava de fato a ser aplicado, a critério dos oficiais da Marinha de Guerra do Brasil. Num contingente de 90% de negros e mulatos, centenas de marujos continuavam a ter seus corpos retalhados pela chibata, como no tempo da escravidão. Entre os marinheiros, insatisfeitos com os baixos soldos, com a má alimentação e, principalmente, com os degradantes castigos corporais, crescia o clima de tensão.
No dia 22 de novembro de 1910, João Cândido, ao assumir, por indicação dos demais líderes, o comando do Minas Gerais e de toda a esquadra revoltada, controla o motim, faz cessar as mortes, e envia radiogramas pleiteando a abolição dos castigos corporais na Marinha de Guerra brasileira. Foi designado à época, pela imprensa, como Almirante Negro. Por quatro dias, os navios de guerra Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Deodoro apontaram os seus canhões para a Capital Federal. No ultimato dirigido ao Presidente Hermes da Fonseca, os revoltosos declararam: “Nós, marinheiros, cidadãos brasileiros e republicanos, não podemos mais suportar a escravidão na Marinha brasileira“.
João Cândido foi expulso da Marinha, sob a falsa acusação de ter favorecido os fuzileiros rebeldes amotinados na Ilha das Cobras, em um segundo levante, que ele não havia participado.
A sua memória foi resgatada jornalisticamente a partir de 1959, com o lançamento do célebre livro “A Revolta da Chibata” de Edmar Morel; musicalmente na década de 1970 pelos compositores João Bosco e Aldir Blanc, no samba “O Mestre Sala dos Mares“; historiograficamente a partir de 1985, com o Livro “A Revolta dos Marinheiros – 1910”, do vice-almirante e historiador naval Hélio Leôncio Martins; cinematograficamente a partir de 2003, ano em que o curta-metragem de resgate de época, “Memórias da Chibata”, foi contemplado em edital do Ministério da Cultura com verba para produção.
Vejam o vídeo extraído do DVD “João Bosco – 40 anos depois“, com João Bosco e Chico Buarque interpretando a música:
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