“Pelo Telefone” é considerado o primeiro samba a ser gravado no Brasil segundo a maioria dos autores. A canção foi composta em 1916, no quintal da casa da Tia Ciata, na Praça Onze – Rio de Janeiro.
Composição de Ernesto dos Santos, mais conhecido como Donga, e do jornalista Mauro de Almeida. Foi registrada por Donga em 27 de novembro de 1916 como sendo apenas de sua autoria. Tempos mais tarde, Donga incluiu Mauro como parceiro. Mas, outros músicos também reclamaram a autoria, pois a canção teria sido criada em uma roda de samba, onde várias pessoas vão adicionando novos versos. A composição marcou também a transição do maxixe para o samba e o reconhecimento desse novo gênero musical.
Entretanto, a questão da autoria não é a única polêmica sobre esse samba: a letra do mesmo também é discutida até hoje.
Na verdade, a letra do samba que a gente canta nos dias atuais nada tem a ver com a original escrita no inicio do século passado.
Veja a letra original :
O chefe da folia/ Pelo telefone manda me avisar/ Que com alegria/ Não se questione para se brincar/ Ai, ai, ai/ É deixar mágoas pra trás, ó rapaz/ Ai, ai, ai/ Fica triste se és capaz e verás/ Tomara que tu apanhe/ Pra não tornar fazer isso/ Tirar amores dos outros/ Depois fazer teu feitiço/ Ai, se a rolinha, sinhô, sinhô/ Se embaraçou, sinhô, sinhô/ É que a avezinha, sinhô, sinhô/ Nunca sambou, sinhô, sinhô/ Porque este samba, sinhô, sinhô/ De arrepiar, sinhô, sinhô/ Põe perna bamba, sinhô, sinhô/ Mas faz gozar, sinhô, sinhô/ O Peru me disse/ Se o Morcego visse/ Não fazer tolice/ Que eu então saísse/ Dessa esquisitice/ De disse-não-disse/ Ah! ah! ah!/ Aí está o canto ideal, triunfal
Ai, ai, ai/ Viva o nosso carnaval sem rival/ Se quem tira o amor dos outros/ Por deus fosse castigado/ O mundo estava vazio/ E o inferno habitado/ Queres ou não, sinhô, sinhô/ Vir pro cordão, sinhô, sinhô/ É ser folião, sinhô, sinhô/ De coração, sinhô, sinhô/ Porque este samba, sinhô, sinhô/ De arrepiar, sinhô, sinhô/ Põe perna bamba, sinhô, sinhô/ Mas faz gozar, sinhô, sinhô/ Quem for bom de gosto/ Mostre-se disposto/ Não procure encosto/ Tenha o riso posto/ Faça alegre o rosto/ Nada de desgosto/ Ai, ai, ai/ Dança o samba/ Com calor, meu amor/ Ai, ai, ai/ Pois quem dança/ Não tem dor nem calor
Agora, a versão popular, mais conhecida pelo povo e cantada atualmente.
O Chefe da polícia / Pelo telefone manda me avisar / Que na carioca / Tem uma roleta para se jogar / Ai, ai, ai / Deixe as mágoas pra trás, ó rapaz / Ai, ai, ai / Fica triste se és capaz e verás / Tomara que tu apanhes / Pra nunca mais fazer isso / Roubar amores dos outros / E depois fazer feitiço / Olha a rolinha, Sinhô, Sinhô / Se embaraçou, Sinhô, Sinhô / Caiu no lago, Sinhô, Sinhô / Do nosso amor, Sinhô, Sinhô / Porque este samba, Sinhô, Sinhô / É de arrepiar, Sinhô, Sinhô / Põe perna bamba, Sinhô, Sinhô / Mas faz gozar, Sinhô, Sinhô / O Peru me disse / Se o Morcego visse / Não fazer tolice, / Que eu não saísse / Dessa esquisitice / Do disse me disse / Queres ou não, Sinhô, Sinhô / Vir pro cordão, Sinhô, Sinhô / Ser folião, Sinhô, Sinhô / De coração, Sinhô, Sinhô / Porque este samba, Sinhô, Sinhô / É de arrepiar, Sinhô, Sinhô / Põe perna bamba, Sinhô, Sinhô / Mas faz gozar, Sinhô, Sinhô
Bem, agora vocês vão poder ouvir e curtir as duas versões: a “original”, gravada em 1916, por Baiano; e a “atual”, gravada em 1973, por Martinho da Vila.
O samba ainda é do tempo em que se escrevia Telefone com “PH”.
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