Nesse dia 30 de abril de 2013, Dorival Caymmi completaria 99 anos de idade.
Dorival Caymmi (Salvador, 30 de abril de 1914 – Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2008) foi um cantor, compositor, violonista, pintor e ator brasileiro.
Compôs inspirado pelos hábitos, costumes e as tradições do povo baiano.1 Tendo como forte influência a música negra, desenvolveu um estilo pessoal de compor e cantar, demonstrando espontaneidade nos versos, sensualidade e riqueza melódica.
Poeta popular, compôs obras como Saudade de Bahia, Samba da minha Terra, Doralice, Marina, Modinha para Gabriela, Maracangalha, Saudade de Itapuã, O Dengo que a Nega Tem, Rosa Morena.
Nas composições de Caymmi (Maracangalha, 1956; Saudade de Bahia, 1957), a Bahia surge como um local exótico com um discurso típico que estabelecera-se nas primeiras décadas do século XX, com referências à cultura africana, à comida, às danças, à roupa, e, principalmente à religião.
Relembrem Dorival Caymmi com Dori Caymmi, Nana Caymmi e Gal Costa, no Heineken Concerts 1996, em São Paulo, interpretando “Maracangalha” :
Depoimentos sobre Caymmi :
“O Dorival é um gênio. Se eu pensar em música brasileira, eu vou sempre pensar em Dorival Caymmi. Ele é uma pessoa incrivelmente sensível, uma criação incrível. Isso sem falar no pintor, porque o Dorival também é um grande pintor.” – Tom Jobim.
“Escrevi 400 canções e Dorival Caymmi 70. Mas ele tem 70 canções perfeitas e eu não.” – Caetano Veloso.
O Festival Internacional da Canção (FIC) foi um concurso de músicas nacionais e estrangeiras, anual, realizado no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, e transmitido pela TV Rio (primeira edição) e pela TV Globo.
A música de abertura era composta por Erlon Chaves e chamava-se “Hino do FIC”.
O apresentador oficial era Hilton Gomes.
O prêmio Galo de Ouro foi desenhado por Ziraldo.
Criado por Augusto Marzagão, durou de 1966 a 1972 (sete festivais). Cada um tinha duas fases: a nacional, para escolher a melhor canção brasileira, e a internacional, para eleger a melhor canção de todos os países participantes — a concorrente brasileira era a vencedora da fase nacional.
Começamos hoje a relembrar os vencedores desses Festivais. Vamos postar as duas primeiras colocadas das Fases Nacionais de cada ano.
Portanto, para nosso post de hoje, vamos falar do I FIC, de 1966.
Esse foi o primeiro Festival na Cidade do Rio de Janeiro. Os demais Festivais, da Excelsior e da Record, eram na Cidade de São Paulo.
Um elemento que apareceu de forma avassaladora nesse festival – e não desapareceu mais nos anos seguintes – foi a vaia.
Agora, passados mais de 40 anos, você pode tirar a sua conclusão:
“Quem estava certo, o júri ou o público ?”
As preferidas do público eram “Dia de Rosas“, com Maysa, e “O Cavaleiro“, com Tuca. As vaias começaram antes da divulgação do resultado. O comentário geral era de que o clima das músicas era muito triste.
Dia das rosas (Luiz Bonfá e Maria Helena Toledo), com Maysa.
Quando o primeiro lugar foi anunciado para “Saveiros“, explodiu uma estrondosa vaia. Tão forte que, por muitos anos, ficou marcada como a primeira grande vaia da era dos festivais. Quarenta anos depois, Nelson Motta, letrista de “Saveiros”, analisa que “a vaia nem era muito pra Nana, nem pra nós especificamente. Era pro resultado. Eu vivi uma experiência muito interessante. Quando você tiver no palco de um ginásio com metade do público vaiando e metade aplaudindo, eu não sei por que, mas você só ouve as vaias. Então foi uma lição de vida. Aprendi que a vitória pode trazer um efeito colateral”.
Ouçam e relembrem “Saveiros”, na voz de Nana Caymmi:
Agora ouçam “O Cavaleiro”, na interpretação de Tuca:
Com a vitória na parte nacional, “Saveiros” representou o Brasil na fase internacional. A vencedora foi a alemã “Frag den Wind” (Helmut Zacharias/Carl J. Schauber), com Inge Bruek. A preferida do público era a francesa “L’Amour Toujours L’Amour” (Daniel Faure), com Guy Mardel, que ficou em terceiro. O segundo lugar ficou com “Saveiros“.